segunda-feira

Mestre




O meu Mestre é o meu coração
Ele dá-me ordens e eu cumpro-as, quando posso.

Pára, meu Mestre!
Não penses, deixa esse mérito para o cérebro,
Sente, sente apenas,
não me dês mais ordens,
não sabes ser Mestre da razão,
só do sentimento, dor, agonia.

Em meu corpo tem que haver dois Mestres,
tu e a cabeça,
eu sei que a ideia não te agrada,
ainda por cima porque saiu do teu rival,
e sei ainda que, como de costume,
não te vais conformar,
ficar quieto e estúpido no teu canto,
vais querer, como sempre,
invadir-me por todo
e por-me a um canto, a chorar,
com uma dor na palma da mão,
com a respiração sufocada
que até faz doer o peito,
sem vontade de nada,
triste, dolorosamente triste,
com pena de mim própria.

Pára! Deixa que a Mente tome conta também,
habitua-te ao pensamento,
deixa que este seja mais e mais forte,
deixa adormecer o sentimento,
dorme...
dorme...
dorme...

T.

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