
Preciso de olear as engrenagens
E as dobradiças da vida,
Tirá-la da estrada áspera
E pô-la sobre carris macios
Tocar o chão da realidade mais próxima do meu ser
E não andar por aí a viver
De fantasias que não me deixam crescer,
Parar de argumentar,
Com desculpas vãs,
Uma vida congelada,
Que não avança nem recua,
Como se ficasse paralisada
Com a vergonha de andar nua.
A morte é sombra da vida
E será tida consoante esta for vivida,
Pode ser bela como uma flor
Iluminada pela luz rasante do entardecer,
Pode ser de uma dor vegetal,
Uma dor que dói por estar adormecida,
Pode ser apenas uma passagem
Para o outro lado,
Como passa um carro numa ponte
Ou num atro túnel sob a terra escavado,
Mas preferia viajar...
Em partículas que pairam no ar
Após a erupção de um vulcão
Ou ir num navio pelo oceano
Que liga ao mundo inimigo,
Esta vida é tão trémula
Como uma alta torre de filigrana,
Somente unida por finos fios enrolados
E fragilmente soldados
Eu sigo pelas turvas águas da vida sem consciência
Qual morte previamente sofrida,
Pois se vivesse eternamente
Não pensava em endireitá-la,
Nem me preocupava em sonhar demais,
Ia apenas vagueando pelas águas sem fim
Pela vastidão de mar que vive dentro de mim...
T. 2005
sábado
Caminhada para o fim
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