sábado

As palavras que nunca foram ditas


As palavras que nunca foram ditas
Digo-tas em silêncio amor,
Penso nelas, sinto, mas não falo,
Escrevo o que o silêncio não denuncia,
O que se esconde lá no fundo,
O que guardo para mim
Sem saber porquê.

Digo que te amo em cada beijo,
Com cada gesto de carinho,
Com a minha presença,
Com a minha poesia.

A poetiza que mora cá dentro
Fala mais alto e escrevo,
Passo para o papel,
Através de desenhos em forma de letras,
A razão do pulsar do meu coração.

As palavras que nunca foram ditas
Digo-tas quando o meu corpo é invadido pelo teu,
Quando partilhamos sensações indescritíveis,
Quando preenches o meu peito
Com alguma pequena alegria.

Digo que te amo com o meu desejo,
Quando não estás comigo,
Sempre que penso em ti,
A qualquer hora do dia.

A poetiza que em mim se instalou
Dita-me ao ouvido o que hei-de escrever,
E passo para o papel,
Através de desenhos em forma de letras,
A razão do meu ser.

As palavras que nunca foram ditas
Digo-tas quando me isolo pelos cantos
A choramingar de tristeza,
Quando uma ponta de insegurança me deprime,
Quando te sinto distante
E o medo de te perder aflora.

Digo que te amo em cada olhar,
Quando fecho as pálpebras e te vejo,
Quando ouço a tua música com atenção,
Quando me preocupo contigo.

A poetiza que vive comigo
Grita a sua presença e obriga-me a escrever,
A passar para o papel,
através de desenhos em forma de letras,
Porque hei-de continuar a viver.

As palavras que nunca foram ditas
Digo-tas quando sinto o teu cheiro e estremeço,
Quando dormes mansamente,
Quando a minha face se ilumina ao ver-te,
Quando ouço a tua voz,
Quando penso em nós.

T.

Sem comentários: