
Por vezes queria voltar ao ponto de partida,
Regressar ás águas amnióticas do ventre da minha mãe,
Onde sossegava aninhada e confortável,
Mas ninguém regressa ás águas de onde veio,
Ninguém vive duas vezes.
Tenho que me contentar com o que tenho,
É que, por vezes, a vida é mais estranha do que a ficção,
Parece surreal o mundo onde vivo.
Escrevo para apaziguar a alma,
O pior é quando a alma não apazigua
E a mão já não resiste a tanta escrita,
Mas tenho que continuar,
Até quando? Não sei...
Com quantas tábuas se constrói uma jangada?
Se cada palavra é uma tábua
Então o poema pode ser interminável,
Mas tenho tempo,
O amanhã nunca morre.
Desligo as pálpebras e flutuo no limbo
Entre o mundo físico e o onírico
À espera que o amanhã seja melhor.
T. (31/05/2005)
sábado
Amanhã
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